16 de nov de 2011

Efeitos adversos das mudanças climáticas


Chão rachado (crédito da imagem: Júlio Rodrigues)


O fenômeno de mudanças climáticas já vem causando diversos efeitos negativos em âmbito mundial, como o aumento na frequência de eventos extremos, tais como enchentes, tempestades, secas e furacões. Esses episódios costumam ser bastante raros, mas atualmente têm se tornado cada vez mais comuns enchentes devastadoras como a que dizimou a cidade de Nova Orleans nos Estados Unidos em decorrência da passagem do furacão Katrina no verão de 2005, bem como a secas que assolam países africanos como Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia no presente ano, causando uma enorme crise nessa região.

Além disso, há previsões nada otimistas no quarto relatório do IPCC, apresentando a teoria de que desde o século XVIII o homem foi o maior responsável pelas mudanças no clima, com aumento de temperatura entre 1,8 e 4,0ºC até o fim deste século. Além disso, demonstra a elevação do nível do mar, o qual poderá subir, em média, entre 18 (dezoito) e 59 (cinqüenta e nove) centímetros nos próximos anos. Essa elevação, apesar de parecer ínfima, pode causar o desaparecimento de diversas ilhas e significativos prejuízos a países como Holanda, dada sua localização em relação ao nível do mar.

Há ainda as transformações nos próprios ecossistemas, com alterações na biodiversidade devido às mudanças em períodos de reprodução, além da diminuição de alimentos em diversas regiões, causando, assim, a migração de espécies.

Tudo isso ocasiona interferências também na saúde da população humana, tendo em vista que se prevê um incremento na frequência de doenças relacionadas ao calor, tais como insolação, além daquelas transmitidas por mosquitos, a exemplo da malária e dengue.
Todos esses efeitos tornam cada vez mais comuns o aparecimento de “refugiados do clima”, isto é, pessoas desalojadas devido a fatores relacionados às mudanças climáticas, tais como grandes secas e aumento dos preços de alimentos, como se observa frequentemente no Chifre da África, região localizada no nordeste do continente africano.

No âmbito do Brasil já são sentidos prejuízos na produção agrícola, no setor energético, nos transportes e nas cidades.

De acordo com a Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (MCT, 2010, p. 211), a agropecuária nos moldes atuais tem uma enorme contribuição para gases do efeito estufa, como a emissão de CH4, que representa 63,2% de participação na geração deste gás no ano de 2005. Além disso, na pecuária, os sistemas de manejo de dejetos de animais são responsáveis pela emissão de CH4 e N2O.

Nesse sentido, conforme estudo “Aquecimento Global e a Nova Geografia da Produção Agrícola no Brasil” (ASSAD, PINTO, 2008), realizado pela Empresa Brasileira de Agropecuária – EMBRAPA e a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, avaliou-se o impacto das mudanças climáticas nas nove culturas mais representativas no país no que concerne à área plantada, tais como algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja, as quais correspondem a 86,17% da área plantada no país.
O referido estudo conclui que
se nada for feito para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e adaptar as culturas para a nova situação, deve ocorrer uma migração de plantas para regiões que hoje não são de sua ocorrência em busca de condições climáticas melhores. Áreas que atualmente são as maiores produtoras de grãos podem não estar mais aptas ao plantio bem antes do final do século. A mandioca pode desaparecer do semi-árido, e o café terá poucas condições de sobrevivência no Sudeste. Por outro lado, a região sul, que hoje é mais restrita às culturas adaptadas ao clima tropical por causa do alto risco de geadas, deve experimentar uma redução desse evento extremo, tornando-se assim propícia ao plantio de mandioca, de café e de cana-de-açúcar, mas não mais de soja, uma vez que a região deve ficar mais sujeita a estresses hídricos. Por outro lado, a cana pode se espalhar pelo país a ponto de dobrar a área de ocorrência.
Logo, é preciso cada vez mais optar-se por uma economia verde, isto é, uma economia com viés para as energias renováveis e o desenvolvimento sustentável. Verifica-se, portanto, que não são poucos os desafios para que se realize essa transição, contudo, com esses obstáculos surgem diversas oportunidades a serem exploradas e incentivadas em âmbito internacional, mas também na esfera interna dos países, tanto pelos setores públicos, sociedade civil organizada e iniciativa privada. Afinal de contas a economia verde baseia-se em novas maneiras de se chegar ao crescimento econômico, produzindo riqueza sem deixar de promover a sustentabilidade, buscando-se cada vez mais uma economia circular (e não mais linear), privilegiando-se também questões comumente esquecidas, a exemplo da logística reversa.