25 de jul. de 2013

Mobilidade urbana

O carro ainda é um item básico na vida de muitas pessoas. Ruas cheias, engarrafamentos, acidentes, falta de vagas para estacionar. Mas será que o automóvel é assim tão necessário?

Há mais de um ano mudei de cidade e deixei meu carro para trás. No meu percurso para o trabalho caminho um trecho, pego o metrô, faço baldeação e depois caminho mais um pouco até o escritório. Levo um pouco menos de uma hora nesse percurso. Talvez eu levasse alguns minutos a menos se fosse de carro (o trânsito aqui não ajuda muito!), mas prefiro a tranquilidade de poder ouvir música, ver meus emails e caminhar pela cidade, inclusive perdendo aí alguns quilos pelo exercício diário. E, claro, não preciso me preocupar com vagas no estacionamento, com IPVA, seguro, multas, acidentes e roubos. Demoro mais, pego um pouco de chuva (às vezes bastante chuva!), mas chego tranquilo em casa, sem me preocupar com engarrafamentos. E algumas vezes ainda encontro amigos no caminho!

Nos dias que me atraso ou quando vamos para um restaurante ou balada mais afastados, tem sempre um taxi à disposição.

Sei que nem todo mundo pode abrir mão do carro, mas noto que é possível se movimentar pela cidade usando ônibus, trem, metrô e, porque não, a pé ou de bicicleta.

E noto que a questão da mobilidade urbana vem ganhando mais importância. A questão principal das manifestações que ocorrem desde junho foi o aumento da passagem e a qualidade dos serviços de transporte.

Com toda essa discussão entre os usuários de transporte público, a Administração Municipal e Estadual, além da sociedade civil organizada, a mobilidade urbana pode se tornar realidade para todos, não só para aqueles que moram e trabalham na região central da cidade.

Tem muitas ideias interessantes em discussão, como, por exemplo, a campanha do Greenpeace pelo Plano de Mobilidade (http://www.greenpeace.com.br/cade/). 





6 de ago. de 2012

Considerações sobre acesso ao patrimônio genético

Um dos objetivos da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (CDB) é a distribuição justa dos benefícios oriundos da utilização de recursos genéticos. Esse objetivo tornou-se mais tarde o Protocolo de Nagoya, fundamentado na repartição de benefícios oriundos do acesso a recursos genéticos e transferência de tecnologias.

Nesse sentido, o Brasil está bastante avançado no que tange aos marcos legais sobre biodiversidade e acesso a patrimônio genético e conhecimentos tradicionais associados. A CDB foi assinada e ratificada no começo da década de 1990 e o Protocolo de Nagoya foi assinado em 2011, restando ainda sua ratificação. Sobre a legislação nacional, já há previsão na Constituição Federal sobre a questão da biodiversidade (art. 225), a qual foi normatizada no que tange ao acesso e repartição de benefícios pela Medida Provisória nº 2.186-16/01 e pelo Decreto nº 5.459/2005, além de diversas orientações técnicas e resoluções do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN).

Primeiramente é importante ter claro o conceito de biodiversidade ou diversidade biológica. Conforme a CDB (art. 2º), trata-se da variabilidade entre os seres vivos e organismos, os ecossistemas e complexos ecológicos dos quais fazem parte. É importante enfatizar que o Brasil é considerado um dos países que abrigam a maior biodiversidade, isto é, um país megadiverso.

Pode parecer bastante complicado pensar em acesso a recursos genéticos, tendo em vista os inúmeros significados que esses termos podem assumir na língua portuguesa. O patrimônio genético, nos termos do art. 7º, I da Medida Provisória é a informação de origem genética, contida em amostras do todo ou de parte de espécime vegetal, fúngico, microbiano ou animal, na forma de moléculas e substâncias provenientes do metabolismo destes seres vivos e de extratos obtidos destes organismos vivos ou mortos, encontrados em condições in situ, inclusive domesticados, ou mantidos em coleções ex situ, desde que coletados em condições in situ no território nacional, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva.

O conhecimento tradicional associado é a informação ou prática individual ou coletiva de comunidade indígena ou de comunidade local, com valor real ou potencial, associada ao patrimônio genético (art. 7º, II da Medida Provisória nº 2.186-16/2001).

O acesso, por sua vez, de acordo com o art. 7º, IV da Medida Provisória nº 2.186-16/2001, é a obtenção de amostra de componente do patrimônio genético para fins de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção, visando sua aplicação industrial ou de outra natureza. É importante destacar que acesso não se confunde com coleta de seres vivos ou substâncias provenientes de seu metabolismo. Contudo, trata-se de um conceito bastante amplo e de difícil definição.

A Orientação Técnica nº 1 do CGEN restringiu um pouco o sentido de acesso, mas ainda sim é muito amplo: "para fins de aplicação do disposto no art. 7º, inciso IV, da Medida Provisória nº 2.186-16, de 23 de agosto de 2001, entende-se por "obtenção de amostra de componente do patrimônio genético" a atividade realizada sobre o patrimônio genético com o objetivo de isolar, identificar ou utilizar informação de origem genética ou moléculas e substâncias provenientes do metabolismo dos seres vivos e de extratos obtidos destes organismos".

Depreende-se, portanto, que o acesso é uma atividade realizada em um laboratório, decorrente de um projeto científico que deve ser autorizado e acompanhado por uma entidade competente (IBAMA, CNPQ, CGEN, entre outros).

As atividades que são consideradas acesso são a pesquisa científica, isto é, uma pesquisa sem fins econômicos, conforme Resolução nº 15 do CGEN, a bioprospecção ("atividade exploratória que visa identificar componente do patrimônio genético e informação sobre conhecimento tradicional associado, com potencial de uso comercial", nos termos do Art. 7º, XII da Medida Provisória nº 2.186-16/2001) e o desenvolvimento tecnológico ("trabalho sistemático, decorrente do conhecimento existente, que visa à produção de inovações específicas, à elaboração ou à modificação de produtos ou processos existentes, com aplicação econômica", conforme a Orientação Técnica nº 04/2004/CGEN).

Sobre a repartição dos benefícios, deve ser lavrado um Contrato de Utilização do Patrimônio Genético e de Repartição de Benefícios (CURB), o qual, conforme art. 7º, XIII da Medida Provisória nº 2.186-16/2001, trata-se de instrumento jurídico multilateral, que qualifica as partes, o objeto e as condições de acesso e de remessa de componente do patrimônio genético e de conhecimento tradicional associado, bem como as condições para repartição de benefícios.

É importante que a legislação sobre biodiversidade contenha dispositivos bem delimitados sobre as definições de termos utilizados, previsões sobre competência e também sanções para os casos de descumprimento, uma vez que o uso irregular de recursos provenientes da biodiversidade pode causar danos muitas vezes irreversíveis.

Para maiores informações sobre acesso a patrimônio genético, conhecimento tradicional e repartição de benefícios:

- Convenção sobre Diversidade Biológica (http://www.cbd.int)
- IBAMA (http://www.ibama.gov.br/servicos/acesso-e-remessa-ao-patrimonio-genetico)
- Ministério do Meio Ambiente/CGEN (http://www.mma.gov.br/patrimonio-genetico/conselho-de-gestao-do-patrimonio-genetico/acesso-ao-patrimonio-genetico-e-aos-conhecimentos-tradicionais-associados)
- UNICAMP/PATGEN (http://www.prp.unicamp.br/patgen/)
- Normas para Acesso (http://www.mma.gov.br/patrimonio-genetico/conselho-de-gestao-do-patrimonio-genetico/normas-sobre-acesso)

3 de jan. de 2012

A atuação do Brasil na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas

É notável o crescente estímulo a estratégias de redução de emissões de gases de efeito estufa a fim de que se alcance a meta voluntária proposta pelo governo brasileiro no âmbito do Protocolo de Kyoto.

Nesse sentido, há projetos já implementados ou em fase avançada de implementação de novas fontes de energia renovável, em geral incluídas nos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL). Entre esses projetos destacam-se o uso moderno da biomassa (utilização de resíduos agrícolas e florestais para a geração de energia, tais como o bagaço da cana e lixívia), além de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), energia eólica, energia solar (fotovoltaica), e até mesmo gerações de energia ainda não difundidos ao grande público, tais como a energia maremotriz (geração de energia pelas ondas do mar) e a energia geotérmica (energia proveniente do calor do interior do planeta).

Observa-se que a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL apresentou diversos editais para a contratação de energia proveniente de novos empreendimentos de geração, a partir de fonte hidrelétrica, eólica, e termelétrica - a biomassa ou a gás natural em ciclo combinado, a exemplo dos Leilões 02/2011, 03/2011, 07/2011. Isso demonstra o interesse do governo brasileiro em priorizar fontes renováveis na matriz energética nacional.

O potencial de geração de energia por fontes renováveis no nosso país é muito grande. E atualmente há bons indicadores de sua utilização.

Há ainda diversas políticas específicas para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, a exemplo da “Política de Ciência, Tecnologia e Inovação - CT&I e Mudança do Clima”, no qual o Ministério da Ciência e Tecnologia objetiva definir iniciativas, além de ações e programas que possibilitem dar mais destaque à ciência, tecnologia e inovação no desenvolvimento sustentável do país.

Além disso, existe o “Programa de Meteorologia e Mudanças Climáticas no Âmbito do Plano Plurianual (2008-2011)”, elaborado pelo Governo Federal visando uma melhor compreensão pela Administração Pública dos mecanismos que determinam a mudança global do clima, bem como aperfeiçoar a capacidade de previsão meteorológica, climática, hidrológica e também ambiental. Neste programa, são elaborados o “Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa”, a operacionalização do “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” e a “Pesquisa e Desenvolvimento sobre Mudança Global do Clima”.

Outro programa ligado diretamente à redução de emissões de gases do efeito estufa é o “Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar – Pronar”, o qual estabelece limites nacionais para as emissões, separados por tipo de fontes e poluentes prioritários, além de classificar as áreas conforme o nível desejado de qualidade do ar, de monitoramento, de licenciamento ambiental, de elaboração do inventário nacional de fontes e poluentes do ar.

É importante destacar também a campanha “Cidades pela Proteção do Clima” (Cities for Climate Protection - CCP), uma iniciativa do Conselho Internacional para as Iniciativas Ambientais Locais - ICLEI (International Council for Local Environmental Initiatives) a fim de mobilizar ações de governos locais em prol da redução das emissões de gases de efeito estufa, além de dar força de expressão internacional coletiva aos governos municipais frente aos governos nacionais e à Convenção. No Brasil, sete cidades aderiram a essa campanha: Betim/MG, Goiânia/ GO, Palmas/TO, Porto Alegre/RS, Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP e Volta Redonda/RJ, atingindo aproximadamente 20 (vinte) milhões de habitantes.

Por fim, os projetos incluídos no âmbito dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo - MDL têm tido uma grande contribuição para a redução de emissões. Conforme exposto no capítulo 1 deste trabalho, o MDL possibilita que países em desenvolvimento sejam beneficiados por atividades de redução de emissões, bem como a posterior venda dessas reduções certificadas de emissão – RCE (os “créditos de carbono”), para serem utilizadas pelos países desenvolvidos para que cumpram suas metas. O Brasil tem uma posição de destaque no ranking dos países que mais se beneficiam com projetos de desenvolvimento limpo.

É importante destacar ainda que o poder legislativo também tem atuado na busca de mitigação aos efeitos das mudanças climáticas, como demonstra o PLS - Projeto de Lei do Senado nº 94 de 2008, elaborado pelo Senador Marcelo Crivella, o qual dispõe sobre a obrigatoriedade de elaboração e publicação, por órgãos da administração pública, entidades de direito privado e organizações da sociedade civil, de protocolos de intenções sobre a adoção de medidas para preservação e recuperação do meio ambiente, mitigação das emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas. Há também o PLS 171/2008 (ou PL 6377/2009), elaborado pelo Senador Cristovam Buarque, que institui o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas.

Em âmbito estadual, há diversas leis atualmente em vigor que buscam incentivar a redução de emissões, estimular a proteção das florestas ou promover o desenvolvimento e a adoção de tecnologias que emitam menos carbono. Essa atuação estadual tem ganhado cada vez mais destaque.

13 de dez. de 2011

Política Nacional sobre Mudanças do Clima


Crédito da imagem: Instituto Ethos


Em conformidade com a competência legislativa em matéria ambiental, especificamente no que tange às mudanças climáticas, decorrentes dos acordos internacionais assinados pelo país, sobretudo a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima, foram promulgadas diversas leis e decretos, tais como o Decreto de 7 de julho de 1999, alterado pelo Decreto de 10 de janeiro de 2006 (cria a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima com a finalidade de articular as ações de governo nessa área), o Decreto nº 3.515, de 20 de Junho de 2000 e Decreto de 28 de agosto de 2000, alterado pelo Decreto de 14 de novembro de 2000 (dispõem sobre o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas) e o Decreto nº 6.263, de 21 de novembro de 2007 (Institui o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima – CIM, orienta a elaboração do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, e dá outras providências).

Por fim, foi promulgada a Política Nacional sobre Mudanças do Clima (Lei nº 12.187, de 29 de dezembro de 2009, regulamentada pelo Decreto nº 7.390, de 9 de dezembro de 2010), instituída após a apresentação das metas voluntárias pelo governo brasileiro na COP-15, em Copenhague. A aludida legislação determina a meta voluntária de redução entre 36,1% e 38,9% das emissões que já tinham sido projetadas até o ano de 2020 (art. 12).
Ainda no que tange às demais reduções de emissões, o mencionado Decreto nº 7.390/2010 prevê que as projeções para os limites de emissões para 2020 no Brasil serão de aproximadamente 3.236 milhões de toneladas de CO2eq  , compostas pelos seguintes setores:

Art. 5º (...)
I - Mudança de Uso da Terra: 1.404 milhões de t de CO2 eq ;
II - Energia: 868 milhões de t de CO2 eq;
III - Agropecuária: 730 milhões de t de CO2 eq; e
IV - Processos Industriais e Tratamento de Resíduos: 234 milhões de t de CO2eq.

O decreto elenca ainda as ações que devem ser tomadas para que se alcance as metas:

Art. 6º (...) § 1º (...)
I - Redução de 80% dos índices anuais de desmatamento na Amazônia Legal em relação à média verificada entre os anos de 1996 a 2005;
II - redução de 40% dos índices anuais de desmatamento no Bioma Cerrado em relação à média verificada entre os anos de 1999 a 2008;
III - expansão da oferta hidrelétrica, da oferta de fontes alternativas renováveis, notadamente centrais eólicas, pequenas centrais hidrelétricas e bioeletricidade, da oferta de biocombustíveis e incremento da eficiência energética;
IV - recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas;
V - ampliação do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em 4 milhões de hectares;
VI - expansão da prática de plantio direto na palha em 8 milhões de hectares;
VII - expansão da fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares de áreas de cultivo, em substituição ao uso de fertilizantes nitrogenados;
VIII - expansão do plantio de florestas em 3 milhões de hectares;
IX - ampliação do uso de tecnologias para tratamento de 4,4 milhões de m3 de dejetos de animais; e
X - incremento da utilização na siderurgia do carvão vegetal originário de florestas plantadas e melhoria na eficiência do processo de carbonização.

De acordo com a Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (MCT, 2010, p. 358), em 2010 iniciaram-se as medidas para a implementação da Política Nacional de Mudanças Climáticas, buscando-se estabelecer os seguintes planos setoriais para alcançar o objetivo expresso na PNMC em relação às ações de mitigação:

Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal;
Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado;
Energia;
Agropecuária;
Substituição do Carvão de Desmatamento por Florestas Plantadas na Siderurgia.

No que tange às negociações internacionais, tais iniciativas são classificadas como NAMA (Nationally appropriate mitigation actions, isto é, Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas), representando, portanto, um conjunto de ações que objetivam reduzir os gases de efeito estufa no âmbito de um país, conforme discutido na Convenção do Clima.
A Lei nº 12.187/2009 determina ainda quais os instrumentos institucionais para a atuação da Política Nacional de Mudança do Clima, os quais são:

Art. 7º Os instrumentos institucionais para a atuação da Política Nacional de Mudança do Clima incluem:
I - o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima;
II - a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima;
III - o Fórum Brasileiro de Mudança do Clima;
IV - a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais - Rede Clima;
V - a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia, Climatologia e Hidrologia.

Essa composição é interessante por incluir não apenas setores ligados à Administração Pública, mas também entes privados na discussão deste importante tema para a política ambiental brasileira.

Ainda ligado ao PNMC, o Governo Brasileiro instituiu o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Lei nº 12.114, de 9 de dezembro de 2009), o qual financiará projetos para diminuição dos efeitos das mudanças climáticas, bem como ações de adaptações. Este fundo do clima será beneficiado com recursos provenientes dos lucros da cadeia produtiva do petróleo e terá como agente financeiro o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.

É interessante o fato de que este fundo apoiará atividades das mais variadas, tais como educação ambiental, capacitação, projetos de emissões de gases de efeito estufa, apoio a cadeias produtivas sustentáveis, conforme dispões o art. 5º, §4º:

Art. 5º (...)  §4º (...)
I - educação, capacitação, treinamento e mobilização na área de mudanças climáticas;
II - Ciência do Clima, Análise de Impactos e Vulnerabilidade;
III - adaptação da sociedade e dos ecossistemas aos impactos das mudanças climáticas;
IV - projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa - GEE;
V - projetos de redução de emissões de carbono pelo desmatamento e degradação florestal, com prioridade a áreas naturais ameaçadas de destruição e relevantes para estratégias de conservação da biodiversidade;
VI - desenvolvimento e difusão de tecnologia para a mitigação de emissões de gases do efeito estufa;
VII - formulação de políticas públicas para solução dos problemas relacionados à emissão e mitigação de emissões de GEE;
VIII - pesquisa e criação de sistemas e metodologias de projeto e inventários que contribuam para a redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa e para a redução das emissões de desmatamento e alteração de uso do solo;
IX - desenvolvimento de produtos e serviços que contribuam para a dinâmica de conservação ambiental e estabilização da concentração de gases de efeito estufa;
X - apoio às cadeias produtivas sustentáveis;
XI - pagamentos por serviços ambientais às comunidades e aos indivíduos cujas atividades comprovadamente contribuam para a estocagem de carbono, atrelada a outros serviços ambientais;
XII - sistemas agroflorestais que contribuam para redução de desmatamento e absorção de carbono por sumidouros e para geração de renda;
XIII - recuperação de áreas degradadas e restauração florestal, priorizando áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente e as áreas prioritárias para a geração e garantia da qualidade dos serviços ambientais.

O Comitê Gestor do Fundo (art. 4º) é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente - MMA e formado por representantes do governo, empresários, cientistas e ONGs. Além de administrar os recursos, o Comitê Gestor deverá acompanhar e avaliar suas aplicações.

16 de nov. de 2011

Efeitos adversos das mudanças climáticas


Chão rachado (crédito da imagem: Júlio Rodrigues)


O fenômeno de mudanças climáticas já vem causando diversos efeitos negativos em âmbito mundial, como o aumento na frequência de eventos extremos, tais como enchentes, tempestades, secas e furacões. Esses episódios costumam ser bastante raros, mas atualmente têm se tornado cada vez mais comuns enchentes devastadoras como a que dizimou a cidade de Nova Orleans nos Estados Unidos em decorrência da passagem do furacão Katrina no verão de 2005, bem como a secas que assolam países africanos como Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia no presente ano, causando uma enorme crise nessa região.

Além disso, há previsões nada otimistas no quarto relatório do IPCC, apresentando a teoria de que desde o século XVIII o homem foi o maior responsável pelas mudanças no clima, com aumento de temperatura entre 1,8 e 4,0ºC até o fim deste século. Além disso, demonstra a elevação do nível do mar, o qual poderá subir, em média, entre 18 (dezoito) e 59 (cinqüenta e nove) centímetros nos próximos anos. Essa elevação, apesar de parecer ínfima, pode causar o desaparecimento de diversas ilhas e significativos prejuízos a países como Holanda, dada sua localização em relação ao nível do mar.

Há ainda as transformações nos próprios ecossistemas, com alterações na biodiversidade devido às mudanças em períodos de reprodução, além da diminuição de alimentos em diversas regiões, causando, assim, a migração de espécies.

Tudo isso ocasiona interferências também na saúde da população humana, tendo em vista que se prevê um incremento na frequência de doenças relacionadas ao calor, tais como insolação, além daquelas transmitidas por mosquitos, a exemplo da malária e dengue.
Todos esses efeitos tornam cada vez mais comuns o aparecimento de “refugiados do clima”, isto é, pessoas desalojadas devido a fatores relacionados às mudanças climáticas, tais como grandes secas e aumento dos preços de alimentos, como se observa frequentemente no Chifre da África, região localizada no nordeste do continente africano.

No âmbito do Brasil já são sentidos prejuízos na produção agrícola, no setor energético, nos transportes e nas cidades.

De acordo com a Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (MCT, 2010, p. 211), a agropecuária nos moldes atuais tem uma enorme contribuição para gases do efeito estufa, como a emissão de CH4, que representa 63,2% de participação na geração deste gás no ano de 2005. Além disso, na pecuária, os sistemas de manejo de dejetos de animais são responsáveis pela emissão de CH4 e N2O.

Nesse sentido, conforme estudo “Aquecimento Global e a Nova Geografia da Produção Agrícola no Brasil” (ASSAD, PINTO, 2008), realizado pela Empresa Brasileira de Agropecuária – EMBRAPA e a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, avaliou-se o impacto das mudanças climáticas nas nove culturas mais representativas no país no que concerne à área plantada, tais como algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja, as quais correspondem a 86,17% da área plantada no país.
O referido estudo conclui que
se nada for feito para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e adaptar as culturas para a nova situação, deve ocorrer uma migração de plantas para regiões que hoje não são de sua ocorrência em busca de condições climáticas melhores. Áreas que atualmente são as maiores produtoras de grãos podem não estar mais aptas ao plantio bem antes do final do século. A mandioca pode desaparecer do semi-árido, e o café terá poucas condições de sobrevivência no Sudeste. Por outro lado, a região sul, que hoje é mais restrita às culturas adaptadas ao clima tropical por causa do alto risco de geadas, deve experimentar uma redução desse evento extremo, tornando-se assim propícia ao plantio de mandioca, de café e de cana-de-açúcar, mas não mais de soja, uma vez que a região deve ficar mais sujeita a estresses hídricos. Por outro lado, a cana pode se espalhar pelo país a ponto de dobrar a área de ocorrência.
Logo, é preciso cada vez mais optar-se por uma economia verde, isto é, uma economia com viés para as energias renováveis e o desenvolvimento sustentável. Verifica-se, portanto, que não são poucos os desafios para que se realize essa transição, contudo, com esses obstáculos surgem diversas oportunidades a serem exploradas e incentivadas em âmbito internacional, mas também na esfera interna dos países, tanto pelos setores públicos, sociedade civil organizada e iniciativa privada. Afinal de contas a economia verde baseia-se em novas maneiras de se chegar ao crescimento econômico, produzindo riqueza sem deixar de promover a sustentabilidade, buscando-se cada vez mais uma economia circular (e não mais linear), privilegiando-se também questões comumente esquecidas, a exemplo da logística reversa.

10 de out. de 2011

O que são mudanças climáticas?


Geleiras derretendo (fonte: The Nature Conservancy)

O clima da Terra se modificou drasticamente durante toda sua evolução geológica e continua a se transformar. Contudo, trata-se de um fenômeno natural, haja vista que o planeta dispõe de um mecanismo de regulação do clima na atmosfera, mais conhecido como Efeito Estufa, isto é, gases como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e também o vapor d’água (H2O), notórios por sua capacidade de reter o calor na atmosfera, da mesma forma que o revestimento de vidro em uma estufa de plantas. (PINTO et al, 2009, p. 9).

As mudanças climáticas são, portanto, um aumento fora do normal desse fenômeno, ocasionando um aquecimento global na biosfera. Esse incremento é causado principalmente pela liberação exagerada de dióxido de carbono, devido à intensa atividade antrópica, principalmente a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento

Esse aumento da temperatura média na superfície terrestre instigou vários pesquisadores a estudarem mais esse tema. Nesse sentido, o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com o objetivo de fornecer informações científicas, técnicas e sócio-econômicas para a melhor compreensão sobre o fenômeno mudanças climáticas.

A Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (CQNUMC ou UNFCCC, do original em inglês United Nations Framework Convention on Climate Change) foi elaborada no âmbito da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizada no ano de 1992, no Rio de Janeiro (conhecida como Rio-92), e tem a missão de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, procurando reduzir, portando, a interferência antrópica adversa no clima. Essa convenção é um acordo internacional e foi assinado por 192 países, incluindo o Brasil, seu primeiro signatário. Esta convenção foi promulgada no país pelo Decreto nº 2.652, de 1º de julho de 1998.

A CQNUMC prevê o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Logo, há uma diferenciação entre os países signatários: os países desenvolvidos (enumerados no Anexo I da Convenção) devem adotar medidas mitigadoras e limitar suas emissões de gases de efeito estufa para que não ultrapassem níveis de 1990. Os demais países – e o Brasil se inclui nessa categoria – não têm obrigação de apresentar metas a cumprir, apesar de deverem também implantar programas de mitigação de mudanças climáticas.

5 de out. de 2011

Especial: Mudanças Climáticas

Resolvi elaborar um especial sobre mudanças climáticas, tema do meu trabalho final da pós-graduação. Vou colocar e adaptar alguns textos da monografia aqui para o blog.

5 de set. de 2011

Voltando às origens


Que tal voltarmos para as origens da agricultura? Deixarmos toda essa criação intensiva, antiobióticos, defensivos agrícolas, hormônios e toda essa "fordização" da atividade agropecuária? Essa é a proposta do vídeo elaborado por Johnny Kelly, com a trilha do cantor country Willie Nelson com um cover de um antigo hit do Coldplay. Trata-se de um vídeo para os restaurantes de comida mexicana Chipotle. Mas quem sabe é uma semente para procurarmos uma agropecuária que emita menos poluentes, menos gases do efeito estufa e que mesmo assim não deixe de ser produtiva. Já há diversas soluções, como a produção orgânica, a ecoagricultura e a permacultura. (fonte: ponto eletrônico)

15 de ago. de 2011

Agrotóxicos x Orgânicos

O Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo e isso demonstra a atual forma de produção de alimentos adotada pelos nossos agricultores. Mas infelizmente muitos dos efeitos colaterais do uso dos defensivos agrícolas são camuflados. São comuns danos às águas subterrâneas, ao próprio solo, além de prejuízos à saude dos animais, dos próprios agricultores e, claro, de nós, consumidores. E como se pode observar no vídeo abaixo, há registro da presença de agentes tóxicos dos defensivos agrícolas até mesmo no leite materno:



Esse é um trecho do filme de Silvio Tendler que denuncia os efeitos adversos dos agrotóxicos (para ver o filme inteiro clique aqui). O interessante desse trecho é a fala da senadora e presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil, Kátia Abreu. Segundo a parlamentar, o modelo de produção orgânico não seria capaz de sustentar a demanda de alimentos do Brasil e que as pessoas mais pobres deveriam sim consumir alimentos com agrotóxicos.

É certo que atualmente os alimentos orgânicos chegam com preços mais elevados do que os alimentos tradicionais, mas seus benefícios a longo prazo são incomparáveis, uma vez que diversos elementos presentes em agrotóxicos se acumulam no organismo humano causando diversos desequilíbrios, a exemplo de infertilidade e até mesmo câncer.

Atualmente os agricultores que optam pelo modelo orgânico de produção ou mesmo a agroecologia e permacultura vêm atingindo cada vez mais produtividade e competitividade frente aos alimentos tradicionais. E os grandes supermercados vem dado bastante destaque às prateleiras e gôndolas de produtos orgânicos, além de serem cada vez mais comuns as feiras de produtores e cooperativas que disponibilizam seus produtos em diversos pontos das cidades.

Há, inclusive, diversas pesquisas que demonstram que os consumidores têm optado por alimentos produzidos de modo orgânico, apesar dos preços mais elevados, tendo em vista os benefícios a longo prazo para sua saúde e também para o meio ambiente.

O importante, afinal, é que haverá espaço tanto para os produtos tradicionais quanto para os orgânicos, restando ao consumidor, indiferente de sua classe social ou nível de informação, a opção final, pesando os prós e contras das duas modalidades de alimentos.


Links:
Lista de locais de venda de produtos orgânicos em Brasília.
Filme "O mundo segundo a Monsanto", de Marie-Monique Robin.
Slowfood Cerrado



2 de ago. de 2011

Mudanças nas Unidades de Conservação

(crédito da imagem: Alicia Uchoa - Chapada dos Veadeiros/GO) 
Parece que não é só o Código Florestal que têm incomodado os ruralistas. De acordo com uma reportagem publicada hoje no Correio Braziliense ("Ruralistas miram áreas de preservação"), o deputado Moacir Micheletto (PMDB/PR) prepara um projeto de lei que tentará mudar a forma como são criadas as unidades de conservação.

Micheletto elaborou o Req 75/2011 CAPADR em 16/06/2011 para solicitar à Ministra do Meio Ambiente informações sobre todos os Parques Nacionais criados desde 1988. Ao que tudo indica, o deputado busca tornar mais burocrático o processo de criação de unidades de conservação, pois atualmente estas são criadas por decreto presidencial, conforme determina o art. 22 da Lei 9985/2008 (SNUC), regulamentado pelo Decreto nº 4.340/2002.

Dessa maneira, com a mudança, a criação de novas unidades de conservação se daria por projetos de lei, que tramitariam por diferentes comissões da Câmara e do Senado, sob influência da expressiva bancada ruralista.

Essa nova forma de criação irá certamente dificultar a meta estipulada pelo Brasil na Convenção da ONU sobre Biodiversidade - COP10 e no Plano Estratégico para Biodiversidade 2011-2020, de elevar as áreas terrestres protegidas para um valor de 17% do território nacional, além de restaurar 15% das áreas degradadas.

Atualmente, de acordo com o relatório O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Naturreza, há 310 unidades federais, 503 estaduais, 81 municipais e 973 RPPN (dados consolidados até 10 de maio de 2011).

Para mais informações sobre unidades de conservação:

31 de jul. de 2011

Estamos todos conectados

É engraçado perceber que temos mais em comum com os outros animais do que podemos imaginar. A preguiça, o tédio, o medo, o cuidado com os filhos. Esse vídeo, chamado "We're all conected" (estamos todos conectados" faz parte de uma campanha da WWF, em comemoração aos 50 anos dessa organização não-governamental.

14 de jun. de 2011

O Livro Verde do Século XXI

O Livro Verde do Século XXI é uma iniciativa do  Conselho Euro Brasileiro de Desenvolvimento Sustentado - EUBRA e ONU Habitat e reúne 100 tecnologias e iniciativas que nos últimos anos procuraram fundamentar uma Economia Verde. Esse livro foi elaborado a partir de uma pesquisa de diversos casos, os quais foram divididos entre ações socioambientais, comunicação, tecnologia, finanças, entre outros.


Vale a pena o click!

18 de mai. de 2011

Simplicidade

Já reparou que há uma tendência ao retorno à simplicidade? Claro, o mais fácil de se observar são as relações de consumo: cada vez mais as pessoas quando vão às compras trazem de casa sacolas de pano ou sacolas plásticas duráveis, tanto as famosas ecobags quanto aquelas que nossas mães e avós levavam à feira. Ou ainda optam por utilizarem caixas de papelão disponíveis nos mercados. Aliás, há mercados que fazem o "dia sem sacola de plástico". 
 
Há ainda produtos absolutamente impensáveis há alguns anos e que agora começam a fazer sucesso, como o absorvente feminino reutilizável e as fraldas de pano com estampas, quase uma volta aos anos cinquenta, mas com muito mais apelo de mercado.
 
E os orgânicos, cada vez mais comuns nas prateleiras dos grandes mercados? Bem, a forma de produção orgânica, isto é, sem o uso de aditivos agrícolas, sementes transgênicas e agrotóxicos, nunca deixou de existir, mas hoje estão certificados, com embalagens interessantes e com preços mais salgados que os alimentos produzidos da forma tradicional. E é interessante notar que vários consumidores preferem pagar um pouco mais caro em seus alimentos para garantir que terão uma alimentação mais saudável.
 
E após o consumo, claro, vem o lixo, ou melhor, os resíduos sólidos. Há o incentivo à separação em orgânicos e secos e também à própria reciclagem e reutilização das embalagens. Além, é claro, de várias empresas optarem por embalagens mais simples ou mesmo a venda à granel, como nos antigos mercadinhos.
 
É comum também várias pessoas deixarem em casa seus carros - ou mesmo vendê-los - e optarem por fazer seus percursos de bicicleta ou mesmo de transporte coletivo. Há toda uma cultura de valorização dos ciclistas, mesmo em cidades que não têm ciclovias ou mesmo passeios em boas condições.
 
De forma geral, muitas pessoas estão procurando simplificar suas vidas e é interessante notar que essa é uma tendência em vários países. Talvez tenham se cansado de toda essa cultura da abundância e do desperdício ou quem sabe simplesmente se tornaram um pouco mais conscientes de todos os impactos negativos do nosso modo de vida. Sério, é difícil dizer com certeza quais são as causas desse retorno à simplicidade, mas o bom é que parece não ser algo passageiro.
 

16 de mai. de 2011

Bagunça florestal

Charge retirada de http://guibastyle.blogspot.com/
E toda essa bagunça pra aprovar o Código Florestal? E o bate boca entre Marina e Aldo, na maior lavagem de roupa suja antiga. E o fato de mudarem o relatório assim na véspera da votação? Enfim, fica todo esse dilema entre ruralistas e ambientalistas sem nunca chegar em um consenso. Ok, realmente não acho legal diminuir esse tanto as áreas de proteção permanente e a reserva legal, mas também sei que praticamente todos os pequenos agricultores estão com alguma ilegalidade em relação ao código atual, seja pelo desrespeito aos limites das APPs e das RL, seja por algum outro crime ambiental (o prazo para a regularização e averbação das RL termina em junho!). Sei também que o código atual é ainda da década de sessenta e muita coisa aconteceu nesse tempo, mas será que não dava para conseguir um meio termo? Um equilíbrio entre o novo e o antigo, entre ruralistas e ambietalistas, afinal de contas é muito reducionismo dividir os interesses de proteção ambiental entre somente dois pólos. Mas enfim, vamos ver o que acontece, talvez ainda nessa semana teremos algum avanço!

13 de abr. de 2011

Cursos gratuitos da FGV


A Fundação Getúlio Vargas - FGV, tem dois cursos gratuitos à distância bem interessantes com temática ambiental. São cursos rápidos, online e após responder corretamente algumas questões sobre a matéria, há, inclusive, emissão de certificado.
Curso Gratuito: Relevância das Questões Ambientais
O curso trata das relações do homem com o meio ambiente, desde suas necessidades básicas até os limites a que essas relações chegaram como os desastres ambientais.
Será abordado ainda, a conscientização que vem se observando com relação aos cuidados com a biosfera, buscando um caminho para o desenvolvimento sustentável.
http://www5.fgv.br/fgvonline/CursosGratuitosFormulario.aspx?id_curso=OCWAMBEAD_00_01/2009_1 
Curso Gratuito: Sustentabilidade no dia a dia: orientações para o cidadãoO curso Sustentabilidade no dia a dia: orientações para o cidadão aborda o ciclo completo de vida dos produtos e instrui sobre como consumir com responsabilidade, por meio do entendimento das consequências de cada escolha.
Objetivo: apresentar os principais fatos e conceitos relativos à sustentabilidade; provocar reflexão nos participantes do curso sobre seus hábitos e atitudes em relação à sustentabilidade; contribuir para o planejamento de mudança de atitude individual.
http://www5.fgv.br/fgvonline/CursosGratuitosWalmart.aspx?id_curso=OCWCIDEAD_00_01/2010_1
Há outros cursos também, basta acessar o site: http://www5.fgv.br/fgvonline/cursosgratuitos.aspx 

20 de mar. de 2011

Jardinagem de guerrilha

Crédito da imagem: Banksy
Existem maneiras simples de se melhorar o meio ambiente. Uma das mais divertidas, com certeza, é a jardinagem de guerrilha (ou Guerrilla Gardening). É uma forma de recuperação e ocupação de áreas urbanas degradadas e também um protesto verde. Para fazer uma granada verde: 

Crédito da imagem: Revista Galileu
  1. Numa vasilha, misture duas porções de uma semente de sua escolha, quatro porções de adubo e cinco de argila em pó. 
  2. Despeje água até a mistura ganhar uma consistência de massa. Faça pequenas bolinhas e deixe pra secar. 
  3. Vá até o seu alvo e jogue a bomba rapidamente, sem ninguém ver. 
  4. Com o tempo, as chuvas vão dissolver a bomba, espalhando as sementes e os nutrientes pelo chão. 
Curiosidades:
  • O termo “granada de sementes” (seed grenade ou seedbom) foi usado pela primeira vez por Liz Christy em 1973, quando ela começou o “Guerrilhas Verdes” (Green Guerillas) nos EUA. 
  • As primeiras granadas eram feitas com balões ou velhas bolinhas de natal, que eram jogados em terrenos baldios em Nova Iorque para melhorar a aparência dos bairros.
Fontes:
Revista Galileu http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,ERT124004-17933,00.html
Guerrilla Gardening http://www.guerrillagardening.org
Seedbom - Throw it grow it http://kabloom.co.uk/blog/
Apartment Therapy http://www.apartmenttherapy.com/ny/gardening/guerilla-gardening-024885

26 de fev. de 2011

Alta dos alimentos, outras soluções

(Crédito da Imagem: Ivo Gonzalez - Greenpeace)
O recente aumento no preço dos alimentos tem gerado diversas reações, com justificativas que vão desde mudanças climáticas, como a onda de calor na Rússia, Ucrânia e Cazaquistão que prejudicou a produção de trigo, a até mesmo a simples atividade especulativa dos mercados financeiros.

Atribui-se também a esse aumento dos alimentos e commodities a uma das causas para as recentes revoluções nos países árabes. Além disso, há relação entre a crise dos alimentos e a discussão da reforma do Código Florestal, cujo atual projeto visa, entre outros objetivos, diminuir as áreas de proteção permanente a fim de aumentar as terras destinadas à agricultura e pecuária.

Todo esse cenário faz reacender a discussão sobre o aumento de eficiência na produção alimentícia. Fala-se, portanto, em melhoramento genético, uso transgênicos e defensivos agrícolas.

É importante diferenciar essas três técnicas. O melhoramente genético visa à obtenção de plantas mais produtivas, adaptadas a diferentes agroecossistemas, resistentes a doenças e a pragas, além de maior quantidade nutricional. Esse melhoramento se dá pelo cruzamento de plantas com compatibilidade interespecífica, isto é, escolhe-se espécies com características desejadas e se realiza um cruzamento a fim de combinar essas características.

Isso é diferente do que ocorre na transformação genética, isto é, há a introdução de um único gene de interesse, originário da mesma espécie ou mesmo de outras. Dessa forma, quebra-se a barreira imposta pela incompatibilidade sexual e eliminam-se ligações gênicas indesejadas.

Os defensivos agrícolas, ou agrotóxicos, por sua vez, têm por objetivo principal livrar as colheitas de pragas e ervas daninhas, além de torná-las mais economicamente viáveis. Sabe-se que são altamente nocivos tanto para o organismo humano quanto para ambiente e discute-se o possível uso seguro dessas substâncias.

Ainda há muito receio no que se refere ao uso de plantas transgênicas e agrotóxicos. Há inclusive lavouras denominadas "roundup ready", isto é, culturas modificadas geneticamente para tolerar um herbicida específico.

Contudo, enquanto no Brasil ocorre o incremento do uso de agrotóxicos (desde 2008 o país ultrapassou os Estados Unidos para se tornar o maior consumidor de agrotóxicos do mundo) e de transgênicos (o milho modificado geneticamente deverá ocupar metade da área plantada na safra 2010/11), noticia-se uma grande queda no uso dessas práticas na Europa, ocorrendo inclusive a proibição de cultivo de variedades transgênicas, devido, sobretudo, a evidências cada vez maiores de impactos ambientais e socioeconômicos, o que gerou um enorme conflito de interesses entre os Estados Unidos, maior produtor de transgênicos do mundo, e o mercado europeu.

Ainda se faz necessário realizar mais pesquisas a respeito dos possíveis danos causados pelos lavouras e animais transgênicos e dos agrotóxicos. Nesse sentido, recentemente a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) votou contra a liberação do arroz transgênico LL62.
Além disso, diversas medidas devem ser tomadas em relação aos transgênicos liberados ao consumo humano, a exemplo da obrigatoriedade de notificação nos rótulos de alimentos que contém algum ingrediente de origem trangênica. Nesse sentido, há a Portaria nº 2.658, de 18/12/2003 que determina a cor e o tamanho que o símbolo de transgênico deve ocupar na rotulagem de alimentos.

Por outro lado, atualmente, é crescente o uso de técnicas mais ecológicas de manejo e agricultura e percebe-se o aumento do interesse da população em adquirir produtos orgânicos, apesar do preço ser ainda maior do que os alimentos tradicionais.

A própria FAO, órgão das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, tem se preocupado em reforçar o potencial e a necessidade de a agricultura ecológica substituir a agricultura tradicional, procurando resolver o paradoxo entre a crescente produtividade e o aumento da fome no mundo.
Não se pode negar que agrotóxicos e transgênicos podem aumentar a produtividade de alimentos, contudo, é preciso verifcar os reais impactos dessas práticas. Além disso, é importante destacar que cada vez mais são desenvolvidas técnicas menos impactantes e mais ecológicas de agricultura e pecuária que podem se tornar uma boa solução para a atual crise dos alimentos.
Fontes:

25 de fev. de 2011

A hélice da discórdia

(Crédito da foto: Rodrigo Baleia - Greenpeace)

O Greenpeace realizou na manhã de ontem, dia 24/02/11, uma manifestação pacífica no Congresso Nacional, com o intuito de chamar a atenção para o uso de energias renováveis no país e pedir mais agilidade na votação da Lei de Renováveis (Projeto de Lei nº 630/2003, de autoria do Deputado Roberto Gouveia - PT /SP).

No protesto, manifestantes dessa organização ergueram uma torre eólica inflável ao lado da cúpula que representa a Câmara Federal, como símbolo do uso de energias renováveis no país. Acabaram sendo detidos pela Polícia Legislativa, mas foram liberados no mesmo dia.

referido projeto de lei busca responder criativamente à necessidade de mudanças urgentes na atual matriz energética, que mostrou sua fragilidade, sobretudo, na época da denominada "Crise do Apagão", em 2001 e 2002, e que foi célebre pelo racionamento de energia e elevação de tarifas, motivada pela conjunção da falta de planejamento, ausência de investimentos em geração e distribuição de energia, além da escassez de chuva.

Um dos pontos positivos desse projeto refere-se à criação de um fundo especial para o financiamento de pesquisa e produção de energia elétrica e térmica a partir da energia solar e energia eólica, bem como financiamento da produção de insumos e equipamentos para geração destas fontes alternativas de energia, o qual seria administrado por um Comitê Gestor constituído no âmbito do Ministério de Minas e Energia.

Contudo, desde o fim de 2009 o projeto encontra-se parado, após a instauração de Comissão Especial destinada a proferir parecer.

Sobre as energias renováveis, é importante destacar que o próprio protocolo de Quioto sobre Mudanças Climáticas já destaca a importância de uma matriz energética limpa.

Nesse sentido, a Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidades sobre Mudanças Climáticas, elaborada pela Coordenação-Geral de Mudanças Globais do Clima do Ministério da Ciência e Tecnologia, em atendimento à Convenção sobre Mudança do Clima, já aponta para a necessidade de crescimento significativo da participação das novas fontes de energia renovável na matriz energética brasileira, tais como o uso moderno da biomassa (isto é, a exclusão dos usos tradicionais da biomassa, como lenha, e inclusão do uso de resíduos agrícolas e florestais, bem como de resíduos sólidos), as pequenas centrais hidrelétricas - PCHs, a energia eólica, a energia solar (incluindo fotovoltaica), a energia maremotriz e a energia geotérmica.

Porém, o que se nota atualmente é a priorização de formas de geração de energia tradicionais, a exemplo da recente inauguração, em Candiota, no Rio Grande do Sul, de uma usina termoelétrica, ou mesmo a priorização de geração de energias que embora renováveis, caracterizam-se pelo seu alto impacto ambiental, como se verifica no jogo político em torno das grandes usinas hidrelétricas, simbolizadas pela de Belo Monte, no Pará.

Essa postura ignora o grande potencial de geração de energia no país, como se verifica no Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Nesse documento, vários estudos indicam valores extremamente consideráveis de geração de energia (em torno de 60.000 MW), cujos primeiras análises foram realizadas  na região Nordeste, principalmente no Ceará e em Pernambuco, dado seu amplo potencial para esse tipo de energia.

Além disso, o documento de Revolução Energética elaborado pelo Greenpeace esclarece que a matriz elétrica nacional pode se tornar 93% renovável até 2050 (hoje esse índice está em 88%). Além disso, essa matriz ajudaria a consolidar o compromisso brasileiro de cortar, até 2020, de 36% a 39% no volume de emissões de gases de efeito estufa, com o benefício adicional de promover a economia de bilhões de reais.

Enfim, com protestos como o de ontem, espera-se que o país abra os olhos para as energias renováveis, aumentando a porcentagem de seu uso na matriz energética.

Fontes:
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/A-revolucao-esta-na-lei/
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/frio-na-barriga/blog/33459
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/A-revolucao-brasileira/
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Documentos/Revolucao-Energetica/
http://tnsustentavel.com.br/noticia/4390/dilma-discursa-a-favor-das-renovaveis-e-inaugura-termeletrica-a-carvao
http://www.cresesb.cepel.br/index.php?link=/atlas_eolico_brasil/atlas.htm
http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/atlas/pdf/06-Energia_Eolica(3).pdf
http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/4004.html

24 de fev. de 2011

Belo Monte, choque no Meio Ambiente

(Credito da Foto: Pedro Martinelli – Instituto Socioambiental)

O licenciamento ambiental é uma obrigação legal antecedente à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidor ou degradador do meio ambiente e possui como uma de suas mais expressivas características a participação social na tomada de decisão, por meio da realização de Audiências Públicas como parte do processo, conforme determinam a Lei 6.938/81 e as Resoluções CONAMA nº 001/86 e nº 237/97.

Dessa forma, é uma obrigação compartilhada pelos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, como partes integrantes do SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente). O IBAMA atua, portanto, no licenciamento de grandes projetos de infra-estrutura que envolvam impactos em mais de um estado e nas atividades do setor de petróleo e gás na plataforma continental, ficando as demais obras a cargo dos outros órgãos do SISNAMA, conforme sua competência territorial.

O licenciamento ambiental é um ato administrativo composto pela (i) Licença Prévia (LP), concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade e aprova sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação; pela (ii) Licença de Instalação (LI), que autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes da qual constituem motivo determinante; e, por fim, (iii) a Licença de Operação (LO), que autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação.

Mas isso nem sempre é respeitado. Um dos projetos de grande porte mais controversos atualmente, bem como a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no estado do Pará, cujas pressões políticas já causaram a renúncia da Ministra do Meio Ambiente Marina Silva e recentemente a do presidente do Ibama, Abelardo Bayma Azevedo.

A obra está longe de ser uma unanimidade, já que os movimentos sociais, a população local, os ambientalistas e as lideranças indígenas da região são em sua maioria contrários à construção, uma vez que consideram que os impactos socioambientais não estão suficientemente dimensionados. Além disso, a usina inundará cerca de 400.000 hectares de floresta, expulsará 40.000 indígenas e populações locais e destruirá o habitat de várias espécies, com o intuito de gerar energia, que poderia muito bem ser suprida com investimentos em eficiência energética de outras usinas ou até mesmo com usinas baseadas em energia renováveis e demais fontes limpas, dado o grande potencial das regiões norte e nordeste.

Apesar de toda essa controvérsia, o Ibama dividiu o empreendimento como forma de facilitar o licenciamento. Ao invés de licenciar a usina como um todo, preferiu-se dividi-la por etapas, isto é, um licenciamento para o canteiro de obras e outro para a usina, conforme Processo nº 02001.001848/2006-75, no qual, entre outras informações alarmantes, se verifica que serão removidos 342,60 hectares de vegetação, inclusive em áreas de proteção permanente. É importante destacar que procedimento similar de licenciamento parcelado ocorreu com a Usina Hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, localizada no estado de Rondônia.

Aliás, essa flexibilização da legislação ambiental parece ser a tônica do governo daqui pra frente, apesar de todas as promessas e compromissos eleitorais de priorização de energias limpas e eficiência energética. Trata-se da política denominada "Choque de Gestão Ambiental", que será apresentada provavelmente após o carnaval. Essa política busca diminuir as exigências para construção e exploração dos recursos ambientais a fim de aplicar a cada tipo de obra regras específicas, em vez da regra única existente hoje. Em resumo, abrirá ainda mais brechas para o desrespeito na legislação ambiental do país.

De que adianta ter a legislação ambiental mais avançada do mundo, declarada pelo próprio governo, se o próprio Estado não a respeita? O equilíbrio entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental está cada vez mais abalado.


Fontes: